quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Do fio que vejo da minha janela ao toque do meu celular

Acordei com uma vontade imensa de falar sobre a minha súbita paixão pelos pássaros.
Sempre convivi com passarinhos e nunca me dei conta da contradição que existe em cada um deles.Representam ao mesmo tempo fragilidade e fortaleza.
Muitas são as recordações da infância. Meu pai amava os pássaros,e em sua concepção,era correto criar os bichinhos em um imenso viveiro que construiu na frente de nossa casa. Era muito gostoso entrar naquele imenso viveiro e observar cores, formas, tamanhos,movimentações...
Na minha cabecinha de criança, isso , como tantas outras coisas, era uma coisa comum, normal, todos faziam,todos possuíam um viveiro em suas casas....
Sabiá, era o preferido de meu pai. Eu não preferia ninguém, nem mesmos os pássaros, afinal só brincava com eles, porque achava que todo mundo tinha que brincar com pássaros engaiolados.
Ao longo do tempo,o canto do pássaros passou a ter o significado de tristeza, respeito,sobriedade e culto aos mortos. Explico :
Era costume de minha família visitar o Cemitério do Caju nas tardes de domingo... Nossa ! Como eu sentia tanta tristeza e ninguém percebia ? ! Pois é... Todos os domingos ,aquele mesmo ritual! Flores , lindas flores no túmulo da vó, da tia , do vô , de todos os ilustres antepassados...
Esse ritual mórbido também representava para mim uma coisa comum. Todo mundo ia ao Cemitério aos domingos...
O que isso tem a ver com os pássaros ?! Tudo ! Era lá,entre os mortos, no finalzinho das tardes que meu coraçãozinho doía ,os sinos tocavam e os pássaros entoavam um canto triste, sobrevoando o céu sobre túmulos suntuosos e sobre os mais simples também...
Coisas tão difíceis de entender...
Durante um bom tempo, fugi do som dos pássaros, porque tristeza, definitivamente é um sentimento que muito me incomoda.
Hoje, vejo os pássaros como símbolo de vida,de força, de fé ! Abro os olhos todas as manhãs e ouço canto de pássaros que não sei reconhecer pelos nomes.Mas eles estão lá...Abro a janela e eles estão lá, soltos, nos fios, no telhado do canil e eu agradeço a Deus... Estou viva, tão viva quanto esses pequenos seres que me acompanham desde a infância, passando pelos fios que vejo da minha janela até o toque do meu celular.
Abençoados sejam os pássaros que me deram a sorte de experimentar toda espécie de sentimentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário